Num mercado onde a segurança alimentar, a rastreabilidade e a rapidez são fatores decisivos, controlar corretamente o stock em frio é muito mais do que uma questão operacional: é um elemento-chave para garantir a qualidade do produto e a rentabilidade do negócio.
Em Portugal, o crescimento da logística refrigerada está a acelerar impulsionado pelo aumento do consumo de produtos frescos e congelados, pelo crescimento do e-commerce alimentar e pela expansão da indústria farmacêutica. De facto, o mercado português de cold chain logistics atingiu um valor de 1,17 mil milhões de dólares em 2024 e prevê-se que alcance os 3,98 mil milhões de dólares em 2033, com um crescimento anual de 13,03%, segundo a consultora Imarc Group.
A complexidade operacional do inventário refrigerado
A gestão de stock em ambientes de temperatura controlada apresenta uma complexidade operacional significativamente superior à da logística convencional. Não se trata apenas de armazenar mercadoria, mas sim de garantir a estabilidade térmica do produto durante toda a sua permanência na plataforma, minimizando tempos de exposição, rotações desnecessárias e desvios de temperatura.
Em operações multitemperatura, a dificuldade aumenta exponencialmente devido à coexistência simultânea de referências congeladas, refrigeradas e de temperatura positiva controlada. Cada tipologia de produto exige procedimentos específicos de receção, localização, preparação e expedição, além de rigorosos controlos documentais e sanitários.
A isto soma-se um contexto de crescente pressão sobre a eficiência logística. O aumento dos custos energéticos, a necessidade de reduzir o desperdício alimentar e a exigência de entregas mais rápidas estão a obrigar o setor a rever continuamente os seus modelos operacionais. A Europa conta atualmente com mais de 85 milhões de metros cúbicos de capacidade frigorífica, consolidando-se como um dos principais mercados mundiais de logística do frio, especialmente no setor alimentar.
Digitalização e monitorização em tempo real
A rastreabilidade em tempo real tornou-se um dos pilares fundamentais da gestão moderna de inventários refrigerados. A incorporação de tecnologias IoT, sensores térmicos e sistemas telemáticos avançados permite monitorizar continuamente variáveis críticas como temperatura, humidade, tempos de abertura de portas ou permanência de mercadoria em zonas de transição.
Este nível de controlo permite atuar de forma preventiva antes que uma incidência afete a integridade do produto. Em operações de grande volume, a capacidade de detetar desvios térmicos em segundos é essencial para minimizar perdas e garantir o cumprimento normativo.
Além disso, a digitalização melhora consideravelmente a rastreabilidade documental. Os sistemas WMS integrados com ERP e plataformas de transporte permitem centralizar informação de entradas, lotes, validades, rotações e expedições em tempo real, facilitando auditorias e reduzindo erros operacionais.
Atualmente, mais de 45% dos operadores europeus de logística refrigerada incorporaram processos de automatização avançada nas suas plataformas, especialmente na preparação de encomendas, controlo de inventário e gestão energética.
Rotação de stock e otimização de fluxos
A eficiência na gestão de inventários refrigerados depende em grande medida da correta rotação do produto. Em mercadorias perecíveis, cada hora adicional de permanência em armazém impacta diretamente a vida útil comercial e a qualidade final do produto.
Por este motivo, o modelo FEFO (First Expired, First Out) consolidou-se como padrão operacional em grande parte do setor alimentar refrigerado. Priorizar a saída da mercadoria segundo a data de validade, e não apenas pela ordem de entrada, permite reduzir desperdício alimentar e otimizar a disponibilidade comercial.
No entanto, aplicar corretamente este modelo exige uma sincronização constante entre aprovisionamento, previsão da procura e capacidade operacional. Plataformas com elevada rotação necessitam de minimizar movimentos internos e otimizar localizações dinâmicas para evitar tempos improdutivos e custos excessivos de manipulação.
O planeamento de fluxos também é crítico em operações de grupagem internacional. A consolidação de cargas, especialmente entre Espanha e Portugal, exige coordenação de janelas horárias, operações de cross-docking e tempos de trânsito muito ajustados para preservar a estabilidade térmica e manter a eficiência da distribuição capilar.
Automatização e eficiência energética
A automatização está a transformar o funcionamento dos armazéns frigoríficos. Sistemas de picking guiado, radiofrequência, preparação automatizada e software preditivo estão a permitir melhorar produtividade e precisão operacional em ambientes onde as margens de erro são mínimas.
Um dos grandes desafios do setor continua a ser o custo energético. As instalações frigoríficas representam um dos maiores consumos energéticos dentro da cadeia logística, especialmente em plataformas multitemperatura com elevada rotação diária.
Por isso, cada vez mais operadores estão a incorporar soluções de eficiência energética baseadas em automatização de aberturas, otimização de rotas internas, controlo inteligente de câmaras frigoríficas e análise de consumos em tempo real.
A digitalização também permite melhorar a ocupação do armazém e reduzir espaços improdutivos. Um stock sobredimensionado não só aumenta o risco de obsolescência e caducidade, como também eleva diretamente os custos energéticos e reduz a capacidade operacional da instalação.
Paralelamente, a automatização facilita uma gestão mais precisa da procura através de modelos preditivos apoiados em históricos de consumo, sazonalidade e comportamento do mercado. Esta capacidade de antecipação é especialmente relevante em campanhas de elevada pressão operacional, onde o planeamento determina grande parte da rentabilidade logística.
O fator humano na logística refrigerada
Apesar do avanço tecnológico, a especialização das equipas continua a ser um elemento diferenciador dentro da logística refrigerada. A complexidade normativa, sanitária e operacional exige equipas altamente qualificadas capazes de atuar com rapidez e precisão em ambientes de elevada exigência.
A manipulação de mercadoria perecível requer formação específica em protocolos sanitários, controlo térmico, rastreabilidade e gestão de incidências. Além disso, em operações internacionais, a coordenação documental e o cumprimento de padrões de qualidade tornaram-se aspetos críticos para garantir a continuidade da cadeia de frio.
A combinação entre tecnologia, experiência operacional e capacidade de reação é atualmente um dos principais fatores competitivos do setor.
Na Soapa Europa trabalhamos diariamente para oferecer soluções logísticas de temperatura controlada adaptadas às necessidades de cada cliente, garantindo rastreabilidade, agilidade operacional e máxima eficiência nos fluxos entre Espanha e Portugal.